A praia
Nas areias da praia
escrevi versos e vida
Até que dali saiam
nos braços da espuma
que lenta os oculta
onde tudo se esfuma

Faz-se a espuma do vento
e o vento de coisa nenhuma...
De coisa nenhuma as palavras,
frutos e flores de excepção.
Só o sentimento as lavra
nas praias do coração .

       
 
©
Val Neto
   
             
 
 
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  Olhos Serenos
Penso nos dias que passam
a escorregar por entre os dedos
Penso nos sonhos que escasseiam
soterrados por todos os medos

Penso no luar que se deita
sobre tantos corpos morenos
Penso e a pensar me deleita
a visão dos teus olhos serenos

  A viagem continua...
Depois da Praia encontrarás a Torre...

 

Sonho passageiro
Ela disse-me que o tempo era pouco,
pouco, tão pouco que nem existia
e pensei no quanto isso é louco...
e ao pensar vi que o tempo corria....

Sendo o tempo algo tão abstrato,
sendo a vida um sonho passageiro
porque só nos guia o ponteiro
de um relógio colorido e barato ?

E corremos por cada segundo,
morrendo ao passar das horas,
como se num transe profundo,
esquecessemos o sol das auroras...

Se o tempo é tanto e tão pouco
e a vida é curta e tão bela
porque viver o sufôco
do tempo a passar por ela ?

 

Ilumina-se a praia !
O paradoxo perfeito
entre a razão e a loucura
oscila satisfeito

por mais que se cortem
as vasas e coloquem-se muros,
por mais que se fechem
os links e as portas ,
crescem as flores
e ilumina-se a praia

Que venham todos
e todas as cores !
Que entrem todos
e que ninguém saia !

Um novo século
traz consigo o pêso
de tantos outros
deixados para trás
e um brilho mágico
de esperança e paz.

Ah ! Como eu queria
viajar pelas galáxias,
conhecer novos mundos,
sentir o que sentiram
os lusitanos e anónimos
heróis dos mares e das caravelas indomáveis
ao pisarem terras
distantes e selvagens...

Ah ! Como eu desejo
construir novos castelos
como este de onde contemplo
o brilho fulgurante
das estrelas do firmamento !

Ah ! Como eu espero
que o novo tempo venha
repleto de sonhos e
sinfónicas quimeras !

Milénio - 10/12/2000
Maravilhado assisto
ao inexorável passar do tempo.
Em cada segundo vislumbro
a vida, pressinto a morte
e constato que tudo
não se limita
ao azar ou à sorte.

Um novo século
não é como uma criança
que inocente nasce.





     
     
           
...depois da Praia a viagem continua na